sexta-feira, 20 de junho de 2008

Finalmente um cão...

Surdez não seria o problema que me afastaria daquele maravilhoso exemplar canino. O Pongo era perfeito! Suas manchas eram bem distribuídas, a carinha branquinha com as orelhas pretas e tinha nos olhos seu charme mais precioso: delineados de preto pareciam estar "maquiados" com lápis "Kajal".
Aquele bichinho desengonçado que dava mostras de quão grande seria, corria pela casa toda alucinado para meu desespero e da minha irmã. Fazia com que subíssemos no sofá com medo de suas mordiscadas...e dali pulássemos para as poltronas...e para as cadeiras,e...havia momentos em que parecíamos estar praticando uma espécie de "arvorismo" pela casa...
Em pouquíssimos dias porém,ele começou a alcançar com certa dificuldade os móveis citados.Mais alguns e ele já subia com um leve pulo e nós...bom...era praticamente impossível convencer a vovó que precisávamos trepar no seu guarda-roupa ou na sua cômoda...portanto só nos restou a aproximação hesitante que logo depois se transformaria em amor pleno e convivência pacífica.
Nesta época eu ainda estudava e morava em Copacabana e minha avó morava (com o Pongo) na Tijuca.Os dias da semana se arrastavam mais do que o necessário na minha concepção.O momento de "pegar" o ônibus 416 às sextas-feiras era o clímax da semana. Até domingo ànoite eu poderia conviver com o meu cachorrin...rrão!!!!
Pongo tinha crescido bastante e a convivência dele com minha avó não poderia ser mais benéfica para os dois.Minha avó usava aparelho para surdez, o que já fazia dela uma deficiente auditiva.Pongo por sua vez era surdo como uma porta...mas havia desenvolvido um faro capaz de lhe dizer quem havia chegado no portão com a porta fechada e dali sua reação ser de alegria pura ou de rejeição. Os dois se entendiam às mil maravilhas e isso não podia nos passar despercebido.Bastava minha avó fazer um gesto com a mão diante da boca indicando o ato de comer e lá ia o Pongo,desembestado para a cozinha atrás da vasilha de comida.Pouco depois estávamos eu e minha irmã fazendo o mesmo gesto só pra vê-lo correr para a cozinha. O problema é que nada havia na vasilha. A sua reação depois de umas cinco idas inúteis à cozinha é que nos deu uma idéia de quanto esperto ele era...Parou na frente de duas bobocas que insistiam em fazê-lo de bobo e apenas deu UMA rosnada, sentado e olhando fixo para nós. Depois disso continuamos a testá-lo fazendo o gesto,mas sempre verificando antes a existência da comida na vasilha.

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