Diante de tanta tristeza, a família começou a achar que sairia mais barato me dar outro cão do que me encaminhar para uma terapia, coisa que era muiiiito mais cara naquela época, além de deixar a pessoa meio estigmatizada...imagine como as coisas mudaram, hoje o cara que NÃO faz é que está por fora...
Enfim...lá estavam todos à procura de um novo cão...menos eu.
Eu ainda nutria aquele estranho sentimento dúbio da primeira noite ao lado da Pituca. Me afligia a idéia de passar sozinha outra noite daquelas, mas desistir me fazia parecer fraca e isso era coisa que eu não passaria recibo: fraqueza.
Eis que chega uma notícia. Uma conhecida da minha mãe doaria um cão dálmata para mim. Como assim? Me davam um presente desses só pelos meus belos olhos?
Bom... a história não era bem essa. A dona do canil vendia os filhotes por preços bem "salgados", mas aquele filhote especificamente não valia nada e nem poderia ter o tal pedigree.
Ele nascera surdo.
(Seria também mudo e consequentemente a primeira noite não seria tão assustadora?)
Era o sucesso do momento o filme da Disney "Os 101 Dálmatas", bem antes da Glenn Close.
É lógico que seu nome seria PONGO!
quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
Como tudo começa sempre...
É quase sempre assim...todo caso canino começa com uma vontade mal resolvida na infância que você carrega no subconsciente até o momento em que aquilo volta a incomodar ao encontrar outra criança mal resolvida (mesmo que esta criança já passe longe da infância).
Não é de hoje que a vontade de ter um cachorro vive no meu coração e no meu pensamento.
Foram muitas noites chorando na infância até compreender (?) que não podia ter cachorro no prédio onde eu morava em Copacabana. Mas qual...logo depois a gente lembra que existe avó e que uma das muitas atribuições das avós é fazer as vontades dos netos.
Ganhei enfim, sob a bênção da minha avó, uma fêmea de Fox Paulistinha...Pituca...
Passei uma noite inteirinha sem dormir e na manhã seguinte, minha disposição de ter um amiguinho de 4 patas já não era mais a mesma.
Eu havia passado a noite toda tentando fazer aquela coisinha compreender que quando a gente apagava as luzes da casa, era pra fechar os olhos e dormir.Mas que nada...ela preferia chorar, ganir, desesperada pra sair da caixinha de papelão ao lado da minha cama...eu, mais desesperada ainda, perdi a conta das vezes em que a peguei no colo e olhei para o relógio da cabeceira esperançosa de que a manhã estivesse chegando.Fora os cocôs e xixis que pareciam brotar daquela fonte inesgotável de gemidos.Mas a manhã chegou e com ela a vontade de mostrar a minha nova aquisição como um brinquedo novo que a gente exibe no dia seguinte ao Natal. Todos os meninos e meninas da rua da minha avó vieram ver e brincar com a Pituca.Era uma festa e eu era a "dona"!!!
Foram apenas dois dias de alegria ,conte-se apenas uma noite de desespero. Antes que anoitecesse novamente a Pituca começou a vomitar e ter uns ataques estranhos.Eu ainda era criança mas deu pra perceber que aquilo não era normal.Liguei pro meu pai e minha mãe e eles vieram rápido para levá-la ao veterinário de onde nunca mais voltou.
Diagnóstico: cinomose.
Provavelmente ela já estava com a doença quando me deram, mas era impossível não chorar lágrimas dolorosas por aquela cadelinha que eu mal conseguira festejar. E a culpa dos sentimentos contraditórios daquela primeira (e única) noite? Era um segredo só meu ,que eu quase desistira da idéia de ter um cachorro em prol de algumas horas de sono...mas era um segredo que me pesava o coração de criança...E assim a dor era ainda maior...
Não é de hoje que a vontade de ter um cachorro vive no meu coração e no meu pensamento.
Foram muitas noites chorando na infância até compreender (?) que não podia ter cachorro no prédio onde eu morava em Copacabana. Mas qual...logo depois a gente lembra que existe avó e que uma das muitas atribuições das avós é fazer as vontades dos netos.
Ganhei enfim, sob a bênção da minha avó, uma fêmea de Fox Paulistinha...Pituca...
Passei uma noite inteirinha sem dormir e na manhã seguinte, minha disposição de ter um amiguinho de 4 patas já não era mais a mesma.
Eu havia passado a noite toda tentando fazer aquela coisinha compreender que quando a gente apagava as luzes da casa, era pra fechar os olhos e dormir.Mas que nada...ela preferia chorar, ganir, desesperada pra sair da caixinha de papelão ao lado da minha cama...eu, mais desesperada ainda, perdi a conta das vezes em que a peguei no colo e olhei para o relógio da cabeceira esperançosa de que a manhã estivesse chegando.Fora os cocôs e xixis que pareciam brotar daquela fonte inesgotável de gemidos.Mas a manhã chegou e com ela a vontade de mostrar a minha nova aquisição como um brinquedo novo que a gente exibe no dia seguinte ao Natal. Todos os meninos e meninas da rua da minha avó vieram ver e brincar com a Pituca.Era uma festa e eu era a "dona"!!!
Foram apenas dois dias de alegria ,conte-se apenas uma noite de desespero. Antes que anoitecesse novamente a Pituca começou a vomitar e ter uns ataques estranhos.Eu ainda era criança mas deu pra perceber que aquilo não era normal.Liguei pro meu pai e minha mãe e eles vieram rápido para levá-la ao veterinário de onde nunca mais voltou.
Diagnóstico: cinomose.
Provavelmente ela já estava com a doença quando me deram, mas era impossível não chorar lágrimas dolorosas por aquela cadelinha que eu mal conseguira festejar. E a culpa dos sentimentos contraditórios daquela primeira (e única) noite? Era um segredo só meu ,que eu quase desistira da idéia de ter um cachorro em prol de algumas horas de sono...mas era um segredo que me pesava o coração de criança...E assim a dor era ainda maior...
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